Discurso Na Entrega Do Cargo De Veneravel Mestre 2009

Venerável Mestre,
Ir. VVig.:
Eminente Grão-mestre Luis Gonzaga de Oliveira
Eminente Presidente da PALEM
Veneráveis presentes
Samaritanas, sobrinhos, sobrinhas, convidados

Há exatos dois anos, (no dia 06/06/2007), neste augusto templo maçônico, fui empossado e instalado no trono de Salomão, dividindo as alegrias e apreensões daquele momento com os IIr.: Joaquim Raimundo de Lima, da Loja Sebastião Vasconcelos dos Santos e Manuel Leôncio Filho, da Loja Nival Paulino. Alegria por termos recebido a confiança dos IIr.: das nossas lojas, e apreensão pela tremenda responsabilidade da missão que naquele instante recebíamos. Dizia naquele momento que iniciávamos uma viagem simbólica e iniciática, que nos levaria, dia após dia, a uma faina continua que nunca pareceria ter fim.

Considero esse exercício cotidiano de dirigir uma Loja Maçônica, como uma atividade de manutenção desse maravilhoso mecanismo civilizatório que é a Maçonaria. Não estamos no momento apoiando revoluções, nem fomentando transformações grandiosas na humanidade. Tampouco erigimos edifícios e pontes como nossos ancestrais operativos. Mas estamos cumprindo o importante papel de colocar a disposição da comunidade, os elementos necessários para o aperfeiçoamento pessoal, através da convivência fraterna e do aprendizado maçônico, de todos aqueles que tenham o privilégio de ultrapassar o umbral iniciando-se na Sublime Ordem.

Percorremos esse caminho, e nessa labuta, lá se foram 96 semanas de atividades comuns a todas as administrações de uma Loja Maçônica, compreendendo, iniciações, palestras, reuniões, atividades beneficentes, banquetes ritualísticos, festas do dia dos pais, das mães, festa de aniversário da loja, de São João, feijoadas, confraternizações natalinas, o jantar de toda quinta-feira, dentre outras, tudo com sacrifícios pessoais e profissionais; tudo devidamente registrado em relatório próprio; tudo com a ajuda fraternal dos que fazem a loja e da Fraternidade Feminina Francisca Vasconcelos.
Não faltaram sugestões de amorosos irmãos para que esse,agora ex-venerável, deixasse uma marca física, uma parede, uma sala, para marcar minha passagem como venerável. Acreditando que a este complexo maçônico, imorredoura obra de Sebastião Vasconcelos, quase nada se acrescenta e não desejando sacrificar os irmãos, preferi trabalhar algumas aparentes obviedades, que muitas vezes nos faltam, procurando construir o edifício do respeito as tradições da Loja e da nossa Ordem e a seriedade nas atitudes.

Assim, nossas ações administrativas maiores foram calcadas em decisões de diretoria, sempre referendadas democraticamente pela assembléia da Loja, excluindo dessa forma a necessidade da iluminação de alguns poucos, fosse o venerável ou qualquer outro. Nas sessões normais ou especiais, primamos pelo rigor ritualístico, pois esse é um dos diferenciais da nossa Ordem. Defendemos, e não poderia ser diferente, o fato de sermos livres e de bons costumes, em toda a extensão desses termos, para votar ou deixar de votar, para freqüentar ou deixar de frequentar, para entrar ou sair. Repetimos, a exaustão, que nosso objetivo maior como maçons não é ocupar cargos, mas o aperfeiçoamento através dos graus, pois é através deles que realizamos a alegoria maior da nossa Ordem; gritei a plenos pulmões que a riqueza dos rituais continua esperando ser explorada, e, sobretudo, procuramos conscientemente, nesses dois anos, fortalecer a identidade da Loja Jerônimo Rosado, estimulando o estudo de sua história, homenageando seus fundadores, seus primeiros iniciados e lembrando carinhosamente dos seus mortos queridos. Para as paredes de tal edifício não vou poder ficar apontando o dedo eternamente como minha importante realização, pois o seu soerguimento e manutenção dependem da natureza do invisível material com que talvez tenha sido construído – o espírito de cada um de nos.

Terminada aquela seqüência quase ininterrupta de atos e fatos administrativos, acima mencionada, cabe-nos, nesse momento fazer três coisas: pedir desculpas, agradecer e desejar sucesso aos novos guardiões do templo.

Dois pedidos de desculpas. Primeiro peço desculpas, a todos os irmãos, se em alguns momentos fui por demais veemente. Foram aqueles momentos em que acreditei, como acredito ainda agora, que a Loja estava ameaçada ou de alguma forma atingida. O discurso da tolerância às vezes oculta a covardia de alguns, permitindo a esperteza de outros. Preferi o erro do exagero à omissão, mesmo criando arestas.

Em segundo lugar peço as mais sinceras desculpas a minha esposa Goretti a quem prometi, e não cumpri, que não seria o venerável da Loja Jerônimo Rosado, embora ela saiba muito bem a razão emocional e familiar da minha aceitação. O nosso envolvimento com as associações que dirigimos levou-nos a situações e decisões administrativas não desejadas, mas necessárias, das quais saímos incólumes pela seriedade dos atos e pureza do coração, enriquecendo nossa experiência.

Quanto aos agradecimentos, em primeiro lugar, quero me dirigir a todos os membros da diretoria sem citar nomes, pois sabem todos, o quanto cada um colaborou nesses dois anos, e aos demais irmãos que diuturnamente nos apoiaram, conscientes de que o faziam pelo bem da Loja. Igualmente agradeço a Fraternidade Feminina Francisca Vasconcelos pela ajuda inestimável que nunca nos faltou. Fraternidade que em algum momento no passado chegou a pedir ajuda financeira à Loja para a execução de alguns dos seus projetos e que na gestão que se finda, reformou ou restaurou a área de lazer da Loja, a cozinha, os banheiros e a casa dos caseiro, com seus próprios recursos. Nunca um venerável recebeu tanta ajuda das Samaritanas.

E ao mencionar as samaritanas, peço vênia para agradecer a uma que não é - minha filha Penélope, que nas minhas frequentes faltas de tempo, foi uma ajuda constante fazendo a feirinha das quintas-feiras com Goretti, nas festas da Loja e principalmente como ouvinte paciente das minhas pretensiosas explicações de utilização da Teoria dos Jogos em algumas das decisões que tomei, sempre considerando a Loja Jerônimo Rosado em primeiro lugar.Desses papos com Penélope saíram, em varias circunstân-cias,decisões amadurecidas, embora emocionais na sua expressão.

Finalmente, aos novos veneráveis, o desejo de sucesso na administração das Lojas que a partir de agora representam. Que a vaidade, o mal maior da Maçonaria, não faça morada em vossos corações e que a sabedoria de Salomão seja vosso guia.

Muito obrigado.

Marcos Antonio Filgueira

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