Psicologia Evolucionista

PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA

O estudo do Comportamento animal se diversificou, originando várias disciplinas e abordagens entre elas as seguintes: Etologia, Ecologia Comportamental, a Neuroetologia, A Ecologia Fisiológica, as Neurociências, sociobiologia e A psicologia Evolucionista.
Destas abordagens do estudo do Comportamento, a Ecologia Comportamental, mais ligada a Biologia é herdeira direta da Etologia de Timbergen e a Psicologia Evolucionista é a combinação da Biologia Evolutiva e da Psicologia cognitiva, propondo o estudo da “mente humana adaptada” .Ambas são disciplinas muito próximas. A Psicologia Evolucionista utiliza conceitos da Biologia da Psicologia, das Neurociências, da Genética e da Antropologia. É uma área ainda incipiente no nosso país (Yamamoto,2011).
Em 2004, Hans J. Eysenck escrevendo sobre o futuro da Psicologia, já dizia;”…temos avanços teóricos ao longo das linhas da Sociobiologia que irão restabelecer a noção do homem como um animal biossocial. No estudo dos humanos, há esferas importantes como; beleza, maternidade, parentesco, moralidade, cooperação, realidade, violência que só a Psicologia Evolucionista pode explicar.
Psicologia Evolucionista é uma maneira de pensar a psicologia que pode ser aplicado a qualquer dos seus tópicos (Leda Cosmides & John Tooby). Ela se refere a um conjunto de componentes de “mecanismos psicológicos evoluídos ou adaptações”. Isto é a aplicação da biologia evolutiva ao Comportamento humano e se caracteriza por quatro princípios que são apresentados por Allan S. Miller e Satosihi Kanazawa, (2007).Como segue:

1. Pessoas são animais. As leis biológicas da evolução se aplicam da mesma forma aos humanos e as outras espécies. O que contrasta com o modelo padrão das Ciências Sociais. Somos tão singulares quanto qualquer espécie.
2. O cérebro humano nada tem de especial e evoluiu como todas outras partes do corpo. A Evolução não termina no pescoço, vai ate o cérebro.
3. A natureza humana é inata. Para os humanos, Cultura e Aprendizado são partes do processo evolutivo. Como disse Hamilton a tabula da natureza humana jamais foi rasa e agora esta sendo lida. O que é demostrado exaustivamente por Steven Pinker no livro Tabula rasa,2004.
4. O Comportamento humano é o produto do ambiente em interação com a herança ancestral.
Ligado ao item 2, está o Princípio da Savana : temos um corpo da idade da pedra(Inclusive o cérebro). Nossos mecanismos psicológicos são iguais aos dos nossos ancestrais de há mais de dez mil anos. Este princípio afirma que: o cérebro humano tem dificuldade para entender e lidar com elementos e situações que não existiam no ambiente ancestral.

Porque considerar a Evolução no estudo da Psicologia humana( a patir desse ponto as informações são retiradas de Evolutionary Psychology de Robin Dunbar, Louise Barret e John Lycett, 2007)

A abordagem Evolutiva dá-nos uma poderosa condição para estudar o Comportamento humano . Não é porque essa abordagem ofereça um método diferente alternativo à Psicologia convencional, mas porque ela permite integrar as abordagens psicológicas numa só forma unificada pela evolução Darwiniana.Isto não implica que os comportamentos ou o que os motiva sejam geneticamente determinados.

O que a evolução fez conosco

A Evolução não age para o bem da espécie, mas age sobre o indivíduo. A linhagem humana começa com uma família de macacos eretos e subdivide-se em várias espécies bem adaptadas de hominídeos. Os humanos modernos possuem características físicas e comportamentais que se desenvolveram lentamente ao longo do tempo e algumas dessas espécies compartilham características semelhantes. Não fomos os únicos hominídeos do tronco comum.

Gene, Desenvolvimento e Instinto

A compreensão correta de como a evolução opera, significa entender que todo organismo e seus comportamentos são produzidos pela interação de genes e o ambiente. Também o instinto é o resultado desta interação. Ele envolve aprendizado e pode ser modificado pela experiência como qualquer tipo de comportamento. Os instintos podem se manifestar em períodos diferentes da vida. Eles fazem parte da natureza humana. São tão determinados geneticamente quanto nossa preferência musical.

Como nos tornamos humanos

A habilidade das crianças para compreender o mundo social onde habitam requer a interação entre as aptidões evolutivas antigas herdadas dos nossos ancestrais primatas e a influência de outros seres humanos e a cultura onde vivem. Os bebes humanos nascem com conhecimento básico do mundo. Aos nove meses, os bebes já adquiriram a habilidade para contatos sociais. Essa habilidade aumentará através da interação social, depois, vem a imitação e as brincadeiras. Finalmente, aos 5 anos as crianças são capazes de supor o que vai na cabeça dos outros.

Escolhendo parceiros

A teoria da evolução providencia uma ferramenta importante para entender o padrão de escolhas humanas de parceiros e as características preferidas por cada pretendente. Para as fêmeas a reprodução é um negócio mais custoso do que é para os machos assim, espera-se que as fêmeas sejam mais atentas às pistas sobre as habilidades dos machos quanto ao cuidado parental. Por contraste, espera-se que os machos sejam mais atentos aos sinais de fertilidade das fêmeas.
A visão evolucionista se debruçou também sobre a questão da diferença entre os sexos e as conseqüências disso na escolha dos parceiros. Homens e mulheres adotariam diferentes estratégias reprodutivas: os primeiros tentando sempre aumentar o número de parceiras sexuais com objetivo de aumentar as chances de seu sucesso reprodutivo; as mulheres adotando, por sua vez, uma postura mais seletiva, com investimento mais qualitativo. “A partir daí, é previsível que homens sejam menos fiéis que mulheres, e que cada gênero selecione seus parceiros segundo critérios diferentes”, . “Os estudos da área mostram padrões que independem da época ou cultura: homens escolhendo parceiras mais jovens e saudáveis, mulheres preferindo os melhores provedores”.

O Dilema do investimento parental

O investimento parental é baseado na alocação de recursos escassos. Se os pais têm recursos finitos como tempo e energia para cuidar de um filhote, não estarão igualmente disponíveis para outro filhote atual ou futuro. A Decisão de investir em outro bebe, levará em consideração a possibilidade de reprodução futura deste filhote. Se qualquer um dos filhos apresenta pouca possibilidade de reprodução futura, receberá menos investimento parental e em casos extremos pode levar ao infanticídio. A decisão dos pais sobre suas crianças levará em conta as circunstancias sociais, econômicas e ecológicas que enfrentam.

O circulo social

Os humanos estão mergulhados em uma rede de relacionamentos sociais que forma uma série de círculos que se expandem em torno do indivíduo. Nossa habilidade para acompanhar as modificações constantes dos nossos relacionamentos depende da avançada capacidade cognitiva que dividimos com nossos ancestrais . A hipótese do cérebro social se refere ao fato de que os primatas possuem geralmente cérebros grandes, quando comparado ao de outras espécies e que essa capacidade cognitiva desenvolvida esta relacionada ao fato de que eles possuem uma vida social complexa. No amago desse fato estão os conceitos de obrigação e confiança, que possibilita aos indivíduos a cooperarem no grupo de forma eficiente, para resolver os problemas de sobrevivência e reprodução. Porem, um sistema desses, sofrerá necessariamente pela presença de indivíduos que tentarão aproveitar apenas a cooperação, sem contribuir pra o grupo, assim, haverá a necessidade de mantê-los sob controle para manter o equilíbrio do sistema social.

Linguagem e cultura

Linguagem e Cultura (a capacidade de transmitir ideias e regras de comportamento de um indivíduo para outro através da aprendizagem social) são específicas dos humanos. Apesar de que os animais possam exibir ambas as capacidades em certo grau, não passa, contudo de um pálido reflexo do que encontramos nos humanos. Sugerimos que ambos os fenômenos estão associados com o fato de que os humanos vivem em grupos sociais grandes e dispersos que são constantemente ameaçados por aproveitadores Além do benefício de transmitir conhecimento acerca do mundo, a linguagem providencia um mecanismo para unir os grupos sociais através de uma espécie de cuidado a distancia. A linguagem não apenas permite-nos fazer declarações de interesse social para as pessoas próxima como permite a troca de informações sobre o estado de nossa rede social a fim de renovar-nos sobre o que esta acontecendo advertir aqueles que desconsideram as linhas limites do grupo. Da mesma forma, a cultura permite identificar os indivíduos que pertencem a nossa comunidade, ou seja, aqueles com os quais dividimos obrigações e com quem podemos contar para ajuda moral e econômica quando necessitamos. Ambos dependem do grau de avanço na capacidade de leitura mental que somente os humanos são capazes de fazer e são provavelmente de origem evolucionaria recente.

Mundos virtuais

Religião e as narrativas mitológicas são dois fenômenos que parecem únicos de nossa espécie. É possível que sua origem esteja na necessidade de reforçar a coesão entre as grandes e dispersas comunidades humanas. A esse respeito, os atos religiosos atuam tanto com a finalidade de recompensar e punir, certos comportamentos. Muitos rituais religiosos parecem explicitamente designados para produzir endorfinas importantes para os laços sociais entre os macacos. Ao mesmo tempo a estrutura intelectual da religião providencia tanto razão para o engajamento e ameaça a aqueles que falham nesse envolvimento. O mapeamento da capacidade cognitiva Social padrão dos hominídeos sugere que a capacidade para o sentimento religioso e para a narrativa mítica pode não ter evoluído senão há cerca de 200,000 de anos.

Ciência da Moral

Os humanos tem um forte senso de moral, Porem essa característica da nossa espécie é algo que os Psicólogos Evolucionistas tem somente iniciado a considerar. Em parte porque psicólogos acreditam que não se deveria derivar sentimentos morais de dados biológicos. Estritamente falando, esse ponto de visa é baseado em um mal entendido. Estudos de comportamento econômico humano revelam que as pessoas geralmente se engajam em forte reciprocidade, punindo quem engana e esperando punição se eles mesmos enganam. Esse comportamento prover as condições necessárias para a evolução de comportamentos morais, selecionando habilidades para a internalização de normas.

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